4 fatores que aparecem entre as redes com melhor desempenho no Saeb. Um padrão a reconhecer e adaptar à sua rede.

Um padrão que se repete entre redes com resultados consistentes, para reconhecer e adaptar à realidade de cada território. 

30/07/2026

O Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) mede a proficiência de estudantes em Língua Portuguesa e Matemática, por meio de testes censitários aplicados no 5º e no 9º ano do Ensino Fundamental e na 3ª série do Ensino Médio. Os resultados alimentam o cálculo do Ideb, que combina proficiência (Saeb) e fluxo escolar, com peso de 50% para cada componente, metodologia estável desde 2007. O ciclo mais recente, Saeb 2025, teve seus resultados finais divulgados pelo Inep em 8 de junho de 2026. Toda secretaria que acompanha esses números de perto carrega uma pergunta em comum: o que fazer para que a rede avance nos próximos ciclos?

É uma pergunta legítima, movida pelo compromisso com milhares de estudantes e suas trajetórias, mas é também uma pergunta que atrai respostas simplistas, listas de “soluções milagrosas”, comparações descontextualizadas entre redes muito diferentes entre si, promessas de resultado garantido. Nenhuma dessas respostas resiste à complexidade real da educação pública.

Este texto propõe outro caminho: olhar para o que a pesquisa educacional já observa, com consistência, entre redes que apresentam os melhores desempenhos, como um padrão a reconhecer e, sobretudo, adaptar à realidade de cada território, é nessa adaptação que está o valor. 

De onde vem essa observação 

Essa leitura não nasce de uma única pesquisa isolada. O estudo de referência é o de Andrade e Laros (2007), que analisou dados do Saeb para identificar fatores escolares associados a melhores resultados de aprendizagem. Os dados originais são de 2001, portanto defasados, mas os fatores identificados foram confirmados por estudos posteriores, como o de Oliveira e Carvalho (2018), e aparecem de forma recorrente em casos institucionais amplamente documentados, como o da rede municipal de Sobral (CE) e iniciativas acompanhadas pelo Instituto Ayrton Senna. Ao cruzar essas fontes, quatro fatores aparecem com mais frequência entre as redes com melhores resultados. Juntos, eles indicam onde a gestão pedagógica tem, de fato, capacidade de ação sem esgotar, é bom dizer desde já, a explicação completa dos resultados. 

  1. Liderança pedagógica compartilhada, orientada por resultados

Nas redes com melhores resultados, é comum encontrar um modelo de liderança em que a equipe gestora da escola acompanha dados de aprendizagem de forma coletiva e usa esse acompanhamento para orientar decisões do cotidiano escolar. Essa liderança compartilhada aparece associada a maior coesão entre professores, clareza de prioridades pedagógicas e circulação mais rápida de boas práticas entre turmas e turnos.

  1. Formação continuada e permanência docente como responsabilidade de política de rede

Também está associada a resultados mais consistentes a existência de políticas de rede voltadas à formação continuada de professores e à sua permanência ao longo do tempo: concursos públicos regulares, condições de trabalho adequadas, planos de carreira e investimento sustentado em formação.

  1. Uso pedagógico sistemático da avaliação para orientar decisões 

Redes com melhores resultados tendem a integrar avaliações diagnósticas internas e avaliações externas, como o próprio Saeb, a um ciclo contínuo de decisão pedagógica: identificar lacunas de aprendizagem, redirecionar o planejamento de ensino, acompanhar a evolução ao longo do ano.

  1. Investimento ativo da escola na construção de vínculo com famílias e comunidade

Por fim, aparece com frequência entre redes de melhor desempenho um investimento deliberado da escola na construção de vínculo com famílias e comunidade, comunicação regular, espaços de escuta, ações que aproximam a rotina escolar do território em que ela está inserida.

Os fatores descritos acima são associações observadas em dados correlacionais, controlados por nível socioeconômico, não relações de causa e efeito. Não é possível afirmar que um fator “causa” ou “garante” melhores resultados; é possível dizer que ele aparece com mais frequência entre redes que já apresentam bons resultados, o que também abre espaço para a chamada causalidade reversa.

Segundo Andrade e Laros (2007), o nível socioeconômico agregado da escola foi a variável mais fortemente associada ao desempenho no estudo, a cada aumento de um desvio-padrão no nível socioeconômico da escola, a proficiência média esteve associada a um acréscimo de 11,62 pontos na escala Saeb, mais que qualquer outro fator analisado. Ainda assim, os fatores de nível escolar representam precisamente o território onde a gestão pedagógica pode agir com autonomia: liderança compartilhada, política de formação e permanência docente, uso qualificado de dados, vínculo com a comunidade. É a fração sobre a qual secretarias, superintendências e equipes escolares têm governança direta.

Reconhecer esse padrão é um ponto de partida. O diagnóstico da sua rede é que revela as particularidades de cada território que nenhum estudo nacional consegue capturar sozinho. Entre esses quatro fatores, onde sua rede já avança e onde há espaço para investir? Os Simulados Enem/SAEB e a Plataforma Enem da Estudo Play foram desenvolvidos para apoiar esse processo, oferecendo dados organizados e acessíveis que ajudam equipes gestoras e pedagógicas a enxergar com mais clareza o percurso de aprendizagem de suas redes, ferramentas de apoio à decisão pedagógica sempre conduzida por pessoas.