PISA 2025: avanço real, caminho ainda longo

Os resultados do PISA 2025 colocam o Brasil numa posição incomum: entre os países que mais avançaram em proficiência nas últimas duas décadas e, ao mesmo tempo, abaixo da média da OCDE em todas as áreas avaliadas. As duas coisas são verdadeiras ao mesmo tempo, e entender por quê é importante para qualquer gestão que queira usar esse dado a favor da rede. Na comparação entre 2006 e 2025, o Brasil está entre os países que mais reduziram a distância para a média da OCDE: a diferença caiu de 102 para 58 pontos em Leitura (queda de 44 pontos), de […]

05/10/2026

Os resultados do PISA 2025 colocam o Brasil numa posição incomum: entre os países que mais avançaram em proficiência nas últimas duas décadas e, ao mesmo tempo, abaixo da média da OCDE em todas as áreas avaliadas. As duas coisas são verdadeiras ao mesmo tempo, e entender por quê é importante para qualquer gestão que queira usar esse dado a favor da rede.

Na comparação entre 2006 e 2025, o Brasil está entre os países que mais reduziram a distância para a média da OCDE: a diferença caiu de 102 para 58 pontos em Leitura (queda de 44 pontos), de 131 para 92 em Matemática (queda de 39 pontos) e de 113 para 77 em Ciências (queda de 36 pontos). Essa comparação histórica usa a média dos 23 países da OCDE que participam do PISA desde a edição de 2000, o único grupo comparável ao longo de todas as edições, e por isso difere ligeiramente da média da OCDE completa usada nas seções seguintes, que reúne todos os países-membros atuais. Na comparação com mais de 50 países, o Brasil ocupa a 7ª posição em Leitura e Matemática e a 8ª em Ciências entre as nações que mais cresceram em proficiência desde 2006.

Apesar do avanço histórico, o retrato de 2025 mostra distância considerável a percorrer. O Brasil pontuou 409 em Ciências (média OCDE: 482), 377 em Matemática (média OCDE: 463) e 408 em Leitura (média OCDE: 461). Em proficiência mínima (nível 2 ou acima), apenas 48% dos estudantes brasileiros alcançaram esse patamar em Ciências (OCDE: 74%), 28% em Matemática (OCDE: 65%) e 49% em Leitura (OCDE: 69%). No topo da distribuição, o quadro se repete: só 1% dos estudantes brasileiros atingiu alto desempenho (nível 5 ou 6) em Ciências e em Leitura, contra 7% e 6% na média da OCDE. Em Matemática, o documento oficial não divulga percentual exato para o Brasil nesse nível, apenas descreve que “quase nenhum estudante” atingiu essa faixa, contra 8% na média da OCDE. Os resultados de 2025 também ficaram próximos aos de 2022 nas três disciplinas, um padrão de estabilidade que já dura uma década.

Para quem planeja política pública, o achado mais relevante do PISA 2025 talvez esteja, além da média geral, na desigualdade dentro do próprio país. No Brasil, os 25% de estudantes socioeconomicamente mais favorecidos superaram os 25% menos favorecidos em 96 pontos em Ciências, uma diferença maior do que a média de 85 pontos observada entre os países da OCDE. Entre 2015 e 2025, essa diferença aumentou no Brasil, enquanto a média entre os países da OCDE diminuiu no mesmo período: o desempenho melhorou entre os estudantes favorecidos e ficou estável entre os desfavorecidos. O indicador divulgado pela OCDE é específico de Ciências. Não há, nos documentos consultados, o mesmo recorte para Matemática e Leitura, mas a literatura sobre desigualdade educacional sugere que padrões de disparidade socioeconômica tendem a se repetir entre áreas de conhecimento, o que reforça a hipótese de que o problema não se limita a Ciências.

Isso reposiciona a leitura do avanço nacional, fechar a distância para a OCDE em duas décadas foi resultado de progresso real, mas esse progresso não chegou de forma equivalente a todos os estudantes. Para gestores, o indicador que merece atenção redobrada nos próximos anos é a distância entre o desempenho de estudantes de diferentes contextos socioeconômicos dentro da própria rede, além da média geral.

O PISA 2025 confirma que investimento e política pública sustentados produzem resultado, mesmo em um horizonte de décadas. Também mostra que resultado agregado não garante equidade, e que sem atenção direta a essa distância interna, o próximo ciclo de avanço pode continuar concentrado nos estudantes que já têm mais recursos. Reduzir essa distância depende, na ponta, de professores e gestores com condições reais de identificar e apoiar quem está mais para trás, não apenas de metas nacionais. Para a Estudo Play, isso reforça por que soluções para a rede pública precisam ser pensadas com o território e o contexto socioeconômico de cada escola em mente, e não apenas com a meta de elevar uma média nacional.

 

Fontes: (1) Inep, Resultados do PISA 2025: Brasil (relatório oficial); (2) OCDE, PISA 2025 Results (Volume I), Nota de País: Brasil (tradução oficial do Inep).