No Brasil, quase 64 milhões de pessoas com 15 anos ou mais não concluíram a educação básica.

No Brasil, quase 64 milhões de pessoas com 15 anos ou mais não concluíram a educação básica e cada uma carrega uma trajetória de aprendizado construída fora da sala de aula. O Encceja existe para reconhecer formalmente essa trajetória, emitindo um certificado nacional de conclusão.

17/07/2026

Toda pessoa carrega uma trajetória de aprendizado  construída no trabalho, na criação dos filhos, na vida prática, nas experiências que nem sempre resultam em um diploma. O Encceja, Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos, existe para reconhecer formalmente essa trajetória e emitir um certificado de conclusão da educação básica com validade em todo o país.

O tamanho da lacuna educacional no Brasil

De acordo com o IBGE (PNAD Contínua Educação 2024, divulgada em 13/06/2025), 44,0% da população brasileira de 25 anos ou mais não concluiu a educação básica.

Como dado de apoio e contexto, um estudo da Rede EJA e Inclusão Produtiva, coalizão de 16 organizações da sociedade civil e multilaterais, com apoio da UNICEF, Fundação Itaú e Fundação Roberto Marinho, entre outras, com base em dados da PNAD Contínua/IBGE, lançado em Brasília em julho de 2026  aprofunda esse cenário: quase 64 milhões de brasileiros de 15 anos ou mais estão sem a educação básica completa, sendo 44,7 milhões sem o ensino fundamental e 19,3 milhões sem o ensino médio. O mesmo estudo mostra que 43,1% das pessoas que não concluíram o ensino fundamental estão na força de trabalho, contra 73,5% entre as que concluíram o ensino médio, e estima em R$ 66 bilhões por ano o impacto agregado dessa lacuna na renda do trabalho no país.

Uma via formal, com rigor próprio

O Encceja é uma via formal alternativa para a certificação da educação básica, prevista pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). O exame é aplicado com base na matriz de referência do INEP, e o certificado é emitido pelos sistemas de ensino aderentes, com validade em todo o território nacional.

O papel do RH: viabilizar oportunidades

Empresas e áreas de RH podem apoiar essa trajetória de forma concreta, sem assumir o papel de avaliar quem tem ou não o certificado: divulgar o Encceja de forma clara e acessível; flexibilizar horários de trabalho no dia da prova; criar um ambiente psicologicamente seguro para buscar a certificação sem julgamento.

O papel de gestores públicos: divulgação, articulação e acesso

Secretarias e gestores públicos têm papel estruturante na ampliação do acesso ao Encceja, especialmente em territórios de difícil acesso: divulgação ampla, articulação com escolas e redes locais, garantia de infraestrutura para inscrição e aplicação da prova.

No centro de tudo isso está a pessoa: alguém que estudou, trabalhou, cuidou de uma família, construiu conhecimento ao longo da vida e agora pode ver essa trajetória reconhecida formalmente, com um certificado de validade nacional. Para empresas e redes públicas, apoiar esse processo também contribui para indicadores de equidade, employer branding e práticas ESG. Ganhos reais, mas que vêm como consequência do que realmente importa: reconhecer, com respeito, a trajetória de aprendizado de cada pessoa.