No Brasil, quase 64 milhões de pessoas com 15 anos ou mais não concluíram a educação básica.
No Brasil, quase 64 milhões de pessoas com 15 anos ou mais não concluíram a educação básica e cada uma carrega uma trajetória de aprendizado construída fora da sala de aula. O Encceja existe para reconhecer formalmente essa trajetória, emitindo um certificado nacional de conclusão.
Toda pessoa carrega uma trajetória de aprendizado construída no trabalho, na criação dos filhos, na vida prática, nas experiências que nem sempre resultam em um diploma. O Encceja, Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos, existe para reconhecer formalmente essa trajetória e emitir um certificado de conclusão da educação básica com validade em todo o país.
O tamanho da lacuna educacional no Brasil
De acordo com o IBGE (PNAD Contínua Educação 2024, divulgada em 13/06/2025), 44,0% da população brasileira de 25 anos ou mais não concluiu a educação básica.
Como dado de apoio e contexto, um estudo da Rede EJA e Inclusão Produtiva, coalizão de 16 organizações da sociedade civil e multilaterais, com apoio da UNICEF, Fundação Itaú e Fundação Roberto Marinho, entre outras, com base em dados da PNAD Contínua/IBGE, lançado em Brasília em julho de 2026 aprofunda esse cenário: quase 64 milhões de brasileiros de 15 anos ou mais estão sem a educação básica completa, sendo 44,7 milhões sem o ensino fundamental e 19,3 milhões sem o ensino médio. O mesmo estudo mostra que 43,1% das pessoas que não concluíram o ensino fundamental estão na força de trabalho, contra 73,5% entre as que concluíram o ensino médio, e estima em R$ 66 bilhões por ano o impacto agregado dessa lacuna na renda do trabalho no país.
Uma via formal, com rigor próprio
O Encceja é uma via formal alternativa para a certificação da educação básica, prevista pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). O exame é aplicado com base na matriz de referência do INEP, e o certificado é emitido pelos sistemas de ensino aderentes, com validade em todo o território nacional.
O papel do RH: viabilizar oportunidades
Empresas e áreas de RH podem apoiar essa trajetória de forma concreta, sem assumir o papel de avaliar quem tem ou não o certificado: divulgar o Encceja de forma clara e acessível; flexibilizar horários de trabalho no dia da prova; criar um ambiente psicologicamente seguro para buscar a certificação sem julgamento.
O papel de gestores públicos: divulgação, articulação e acesso
Secretarias e gestores públicos têm papel estruturante na ampliação do acesso ao Encceja, especialmente em territórios de difícil acesso: divulgação ampla, articulação com escolas e redes locais, garantia de infraestrutura para inscrição e aplicação da prova.
No centro de tudo isso está a pessoa: alguém que estudou, trabalhou, cuidou de uma família, construiu conhecimento ao longo da vida e agora pode ver essa trajetória reconhecida formalmente, com um certificado de validade nacional. Para empresas e redes públicas, apoiar esse processo também contribui para indicadores de equidade, employer branding e práticas ESG. Ganhos reais, mas que vêm como consequência do que realmente importa: reconhecer, com respeito, a trajetória de aprendizado de cada pessoa.